v. 1, n. 1 (2017)

O Humano e a técnica: a questão da comunicação

DOI: http://dx.doi.org/10.31657/rcp.v1i1

O homem e a sociedade contemporânea acostumaram-se com os aparatos de comunicação, com as tecnologias e a constante e rápida atualização dos meios. Todos os ambientes da sociedade estão recobertos pela presença desses aparatos, sempre mais atraentes. A prova mais palpável disso é o celular, com seus aplicativos que prometem resolver tudo. É a conhecida sociedade em rede, da conexão.  

Mas o que é mesmo a comunicação? Na sociedade contemporânea existe realmente a comunicação e as pessoas aí estão, de fato, se comunicando, criando vínculos? Nessa sociedade perpassada pela técnica, novos desafios se apresentam, pois a própria técnica assume lugar central nas organizações sociais, recompondo o lugar do humano e da comunicação. É na fronteira do diálogo crítico com os desafios da sociedade atual que a Revista PAULUS discute o tema: O humano e a técnica: a questão da comunicação.  

Ciro Marcondes Filho, em seu dossiê Comunicação e revelação, problematiza, a partir do fenômeno comunicacional, a questão do outro (como alteridade radical), do devir que é movimento, busca o acontecimento comunicacional e, por fim, sugere-nos pensar um outro conceito para a comunicação. 

Ignacio Castro Rey, em Nada a dizer, compõe como um caleidoscópio que perpassa vários temas como a comunicação, a política, os indivíduos, o capitalismo e outros. O olhar crítico do autor sobre os diversos temas nos localiza no tempo presente e nos faz pensar sobre nossa condição atual. 

Na parte de artigos, os autores aprofundam aspectos da comunicação, da técnica e do humano. Norman Melchor, retomando a obra de Walter Benjamin A obra de arte na era da reprodutibilidade técnica, problematiza o conceito de aura e autenticidade à luz das novas tecnologias. No artigo A mediação técnica em Heidegger e Latour, Tarcísio Cardoso distingue a visão de Heidegger sobre a técnica e a percepção de Bruno Latour, lançando luz sobre a questão da técnica na sociedade contemporânea. Ciro Marcondes propõe uma nova leitura sobre algo tão presente em nosso dia a dia que são as imagens, estas agora são percebidas a partir do movimento. Thiago Calçado, utilizando-se do pensamento de Michel Foucault, introduz à discussão dos discursos e linguagens da era digital a ideia de subjetivação e como está se opera em nossa sociedade.

Com Valdir de Castro e Luís Mauro, observamos as transformações do indivíduo e da sociedade em dois ambientes próprios: o dos relacionamentos pessoais na rede Facebook e o da religião e suas transformações na era midiática. Gilson Monteiro propõe uma leitura mais ampla das relações humanas e as tecnologias, a partir da concepção dos ecossistemas comunicacionais e resultados dos processos enativos, tomando a própria região amazônica como modelo de ecossistema comunicacional. 

A entrevista com Massimo di Felice nos desafia acerca da necessidade de repensarmos os tradicionais conceitos da sociedade ocidental, como ética, sociedade, sujeito, humano. Diante das transformações tecnológicas tais conceitos se desgastaram, desafiando-nos para novas epistemologias. 

A primeira edição da Revista Paulus se compõe ainda das resenhas da obra de Dietmar Kamper, Mudança de horizonte, e da tese de doutorado de Clarisse Maria. 

Desejamos a todos uma excelente leitura!

Sumário

A Revista PAULUS

Revista PAULUS
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pag. 9-10

Editorial

Revista PAULUS
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pag. 11-12

Dossiê

Ciro Marcondes Filho
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pag. 17-28

Artigos

Alex Serrano
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pag. 33-43
Norman Melchor R. Peña Junior
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pag. 47-58
Tarcisio Cardoso
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pag. 59-68
Ciro Marcondes Filho
PDF
pag. 69-75
Thiago Calçado
PDF
pag. 77-86
Valdir José de Castro
PDF
pag. 87-96
Luís Mauro Sá Martino
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pag. 97-108
Gilson Vieira Monteiro
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pag. 109-121

Entrevista

Massimo di Felice
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pag. 125-142

Resenha

Dietmar Kamper
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pag. 145-150

Tese

Marcia Carvalho
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pag. 153-154